INVESTIGAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DURANTE EPIDEMIAS E EMERGÊNCIAS DE SAÚDE PÚBLICA

Apenas 3% da investigação global em saúde provém de África, apesar da sua quota de 18% da população mundial e de 25% da carga de doença. Um desafio para esta investigação limitada em saúde no continente decorre do deficiente quadro de ética de investigação e da falha dos princípios internacionais de ética na investigação em proteger de forma óptima os participantes africanos da investigação. As populações africanas possuem culturas, valores, sistemas de crenças e virtudes peculiares que necessitam de ser explorados e compreendidos no processo de conduta ética na investigação. Por exemplo, um estudo realizado num contexto africano reportou que a informação sobre os diagnósticos de cancro como desfavorável durante o processo de consentimento informado poderia alterar o tratamento e o resultado dos cuidados aos doentes. Nos contextos africanos, ao contrário dos países desenvolvidos, a ênfase é colocada na autonomia comunitária em detrimento da autonomia individual. Nas populações africanas onde os níveis de literacia em saúde são comparativamente baixos, a compreensão da investigação e da doença durante o consentimento informado pode comprometer a capacidade de tomar decisões informadas. Além disso, o menor estatuto socioeconómico das populações africanas pode tornar os participantes do estudo vulneráveis, dado que os incentivos oferecidos podem afectar as suas decisões de participar no estudo.